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A Taxonomia da Aprendizagem Criativa aplicada na Sala de Aula



Dee Fink[1] é um consultor educacional no ensino superior, PHD em Geografia, que mora em Norman, Oklahoma. Trabalha há mais de 50 anos com programas de desenvolvimento educacional, mas passou boa parte da vida com alunos em sala de aula, inclusive fora dos Estados Unidos.


Quem é professor possivelmente já ouvi falar dele, em meados de 2013, quando relançou o seu livro “Criating Significant Learning Experiences”, obra ainda sem tradução para o português, mas que inspirou muitos artigos científicos e autores brasileiros.


Ele teve a grande ideia de desafiar, de uma maneira objetiva, as nossas crenças – algumas ultrapassadas – sobre os verdadeiros objetivos da aprendizagem.


Sempre com foco no ensino superior, Fink diz que cabe ao professor, com o apoio da instituição de ensino, sempre, levantar a bandeira do ensino com significado.


Como assim, Renata?

No ensino com significado, “o professor passa a ser um desenhador de experiências educacionais”.[2]


Isso passou a ser relevante depois dos anos 90, com todo o novo leque de tecnologias online disponíveis ao estudante, deixando o professor de ser a “enciclopédia principal de conhecimento” sobre um determinado assunto.


Com a vastidão de conteúdos da internet, na era da sociedade da informação, o professor passou a ser aquela pessoa que vai ajudar o estudante com o seu potencial pessoal e profissional.


Nos capítulos seguintes do livro Fink aborda em detalhes a importância das ferramentas para uma aula com significado e do design instrucional.


Fink utiliza como lema central para traçar um panorama da educação do século XXI a Taxonomia da Aprendizagem Significativa, numa releitura da pesquisa de Benjamin Bloom – a taxonomia de Bloom já era conhecida no meio acadêmico há, aproximadamente, 70 anos.


As bases para a aprendizagem significativa, segundo Dee Fink, são as seguintes:


  • Aprendendo a aprender (ser um estudante melhor, aprender de modo autônomo);

  • Conhecimento de base (compreender e recordar ideias e informações);

  • Aplicação (refletir, formar uma opinião, aplicar as habilidades em termos práticos);

  • Integração (conectar ideias, pessoas, a sua própria vida);

  • Dimensão humana (aprendizagem sobre você e os outros);

  • Cuidado (se importar, desenvolver sentimentos, interesses e valores).



Fonte: http://arthistorysurvey.com/AHSDelphi/taxonomy.html


No livro, Fink fala vastamente de cada uma dessas bases, por isso trata-se de manual prático do ensino superior que todo professor deveria ler.


Em certo ponto ele faz uma conexão desses fatores com os objetivos do curso/disciplina, independentemente da área do conhecimento.


Como professor, o que desejamos (objetivos) que o aluno aprenda?


Aqui vem o ponto do domínio do conteúdo, que o aluno deverá ter ao final da disciplina.


Ter a habilidade de utilizar as bases da taxonomia, combinada com objetivos claros e tangíveis para os alunos, irá trazer a sensação de que valeu a pena estudar um determinado conteúdo.


Um segundo raciocínio feito pelo autor, decorrente do primeiro, é se o docente utilizar uma mescla de objetivos de aprendizagem significativos, será possível criar efeitos de interação e sinergia entre aluno-professor e aluno-aluno, o que potencializa enormemente as chances de se ter domínio de um conteúdo.


Conheci um pouco mais da história dele no podcast[3] adorável da entrevistadora Anna Sabramowicz, uma história de vida pra lá de interessante, quando ele se viu por acaso professor de uma disciplina (inglês) para qual não se considerava pronto, que nunca tinha ministrado antes, no Irã, a serviço do governo dos Estados Unidos.



Depois, em uma nova aventura, com uma bagagem de 3 anos viajando no cargo de professor do corpo de paz americano, tornou-se professor de geografia, na década de 60. Foi quando precisou usar a sua criatividade em grau máximo.


A primeira pergunta que Fink se fez naquela época foi:


O que alunos deveriam saber ao final do curso, e depois, o que os alunos deveriam fazer para atingir esse intento?

Dee Fink faz críticas severas ao sistema de ensino que prega a memorização ostensiva de conteúdos, considerando a cereja do bolo do professor a meta de ajudar o aluno a descobrir como ele aprende e obtém melhores resultados.


Aqui reside a importância de utilizar diferentes metodologias ao longo de um semestre/unidade na sua universidade/faculdade, para favorecer a experimentação, com múltiplas opções de aprendizagem ao aluno.


Seja para escrever um texto, modelar uma mensagem a partir de um novo conhecimento, desenvolver skills de comunicação, em momentos de feedback com o professor, são inúmeras possibilidades, se aplicarmos a taxonomia de Fink há muitas chances de conseguirmos resultados de aprendizagem surpreendentes.


Autora: Renata Milani Caldas

Conteudista no Blog do Prof. Jeciane, Professora no ensino superior em Florianópolis/SC, advogada especialista em direito do trabalho e direito civil.

Data de publicação: 21/02/2020


  1. [1] https://www.linkedin.com/in/dee-fink-52a6b79/ [2] http://aprendereensinar.blogspot.com/2006/02/taxonomia-da-aprendizagem.html [3] https://www.youtube.com/watch?v=TOXKT4IpuZc

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